O nascimento do Sports For All dificilmente pode ser dissociado do meu mestrado em jornalismo desportivo, em Londres. Foi lá que me deparei com uma realidade diferente e me apercebi que o desporto e o jornalismo desportivo em Portugal vivem numa bolha, uma bolha que o Sports For All pretende rebentar. Explico-me.

Falar de desporto é sem dúvida falar de algo com um poder incomparável para unir as pessoas: seja em volta de um atleta, de um clube ou de uma nação. Falar de jornalismo desportivo é necessariamente falar da área do jornalismo com maior audiência ou leitores. Paradoxalmente falar de jornalismo desportivo em Portugal é também falar da única área do jornalismo que (salvo raras e periódicas excepções) vive à parte dos problemas da sociedade. Num país que se diz moderno e progressista, onde questões como igualdade de género, combate à discriminação – seja ela racismo, homofobia (ou outro tipo de fobia relacionada com a orientação sexual) – e inclusão de pessoas portadores de deficiência são aos poucos mais discutidos em sociedade, no desporto e jornalismo desportivo em Portugal estas questões são invariavelmente postas em segundo plano, ou até mesmo ignoradas. Algo que não acontece em Inglaterra.

Em Inglaterra falar de desporto não é apenas falar do jogo, dos jogadores decisivos, do ponto espetacular ou de uma má decisão do árbitro. É também contribuir para o debate acerca da inclusão de minorias no desporto; é aproveitar o enorme alcance do jornalismo desportivo para criar um desporto mais inclusivo e igualitário, onde todos tenhamos as mesmas oportunidades para desenvolverem as suas capacidades; É falar de LGBT no desporto questionando porque é que nenhum jogador da Premier League se assumiu publicamente como gay; É analisar e questionar as políticas das organizações desportivas para transsexuais; É levantar o debate sobre a separação no desporto entre homem e mulher, colocando em hipóteses novas formas de organização; É falar de igualdade de género no desporto – o que vai desde a forma como os media cobrem eventos masculinos e femininos, o discurso que utilizam, as diferenças de salário, etc; É falar de situações de abuso como assédio sexual no desporto, é falar de racismo no desporto e de desporto para pessoas com deficiência.

É basicamente falar de um jornalismo e de uma sociedade que luta pela aceitação e inclusão de qualquer pessoa no desporto e para que todos tenham a mesma facilidade de acesso à prática desportiva, independentemente da cor, religião, orientação sexual, género, condição física etc; é falar de um jornalismo que combate a discriminação dando voz às minorias, dando voz aos discriminados.

É verdade que estes temas ainda não chegaram ao jornalismo desportivo em Portugal com a regularidade necessária, mas tal irá acontecer mais tarde ou mais cedo visto que os problemas existem. Sports For All: the right side of sports não se posiciona como um meio de comunicação social mas sim como uma projecto sem fins lucrativos que pretende lutar por um desporto inclusivo e combater a discriminação, informando as pessoas e ao mesmo tempo oferecendo-lhes um espaço onde podem contar as suas histórias.