Até abril nunca tinham ouvido falar de futebol, agora querem ser profissionais

Até abril nunca tinham ouvido falar de futebol, agora querem ser profissionais

Pode parecer difícil de imaginar para um ocidental mas até há bem pouco tempo, as mulheres de uma aldeia no distrito de Thaparkar, um dos 29 distritos da província de Sindh, no Paquistão, não sabiam o que era futebol.

Foi só em abril deste ano que descobriram o desporto rei, graças à Diya FC, equipa de futebol na cidade Carachi, capital de Sindh. A equipa decidiu dar um treino às professoras da Thar Foundation schools para lhes dar a conhecer o futebol e, começar aos poucos, a mudar a forma como a sociedade na cidade paquistanesa está organizada.

Hanif Jumman, uma das professoras de 22 anos, afirma que a experiência mudou a sua vida e de todos aqueles que lá estiveram: “Nós não sabíamos o que era futebol até abril deste ano, agora é parte das nossas vidas.”

Esta iniciativa não foi apenas especial por ter sido a primeira vez que tiveram contacto com o futebol, mas também porque muitas mulheres de Thaparkar estiveram presentes, de caras tapadas, a assistirem ao treino das suas filhas, que jogaram com os equipamentos do clube por cima das suas roupas tradicionais, algo impensável até então na região.

 Mas o sonho de Hanif, que agora não perde um jogo do Mundial, não se fica apenas por continuar a jogar futebol:

“Ainda que este Mundial seja para homens eu quero que as mulheres da região de Thar também tenham a oportunidade de jogar a esse nível. Também eu já tenho o sonho de jogar futebol a nível profissional, isto é mesmo muito poderoso. As pessoas também já começaram a perceber isso. As mães querem que as suas filhas joguem futebol, os pais levam os seus filhos a jogar, e isto é apenas o início”, explica Hanif.

Para juntar a esta iniciativa, Hanif organizou recentemente uma equipa para participarem num torneio, organizado pela Diya Futebol Clube. E se adesão foi maior do que no primeiro treino, conseguiram ter uma equipa de 13 jogadoras, tal não significa que todos já estejam habituados à ideia de verem as suas filhas jogar futebol:

“Nós falámos com os pais de uma rapariga para termos a autorização deles e explicar-lhes o que é o futebol e que a competição é algo saudável, mas no final eles mudaram de ideias… os valores tradicionais da nossa sociedade atravessaram-se no nosso caminho. No entanto, depois de termos ganho o torneio e regressado à nossa vila com o troféu, os mesmos pais vieram falar connosco a dizer que queriam que ela voltasse para a equipa. Essa foi a verdadeira vitória.”

Mas os desafios de participar num torneio de futebol foram muitos, como explica Zakaullaw, também ela professora durante o dia e ao final da tarde treinadora:

“O desafio foi em primeiro percebermos (treinadoras) as regras, para que depois pudessem explicar às jogadoras. A melhor coisa de tudo isto é que jogadoras e treinadores estão a crescer em conjunto. No início do torneio elas (as jogadoras da equipa) pareciam confusas porque se deixaram levar pelos nervos, aliás nós treinadoras também estávamos nervosas, a tentar garantir que elas cumpriam as regras. Foi a primeira vez para todas nós.”

A paixão pelo futebol está a crescer na região e a Diya FC promete continuar ajudar a cultivar a semente deste desporto na região:  “queremos organizar um torneio distrital ainda este ano, porque não podemos fazer isto apenas uma vez e acharmos que está tudo resolvido.”

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